PAS610. Pombas mensageiras da morte
Ulisses Morgan, mais elegante e atraente do que nunca, vestido de luto pesado, fazia adejar as suas brancas mãos, enquanto murmurava em tom pesaroso: — Foi uma coisa terrível! Eu, que tantas vidas tenho salvado, nada pude fazer por ela. Impotente perante a morte, tive de ficar a contemplá-la, perdidas as esperanças de a ver novamente ao meu lado. Como a vida é dura! Maria Bustillo sentia os olhos marejados de lágrimas ao escutá-lo. Acabavam de regressar do funeral de Helena. A rua estava pejada de gente que aguardava a oportunidade de expressar ao doutor Morgan quanto sentiam o golpe que o destino lhe vibrara. — Não desanime, senhor doutor. Ainda tem o seu filho para o consolar. — Pobre criança! Que passo fazer por ele; eu, um homem sozinho e sempre atarefado? Para que a desgraça seja completa, você parte, Maria, e... — Não posso ficar, senhor doutor. — E porque não? Por recear o que as más-línguas possam começar a dizer? Isso é uma rematada tolice, Maria. O meu filho precisa de si. Eu...