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PAS706. Por quem dobram os sinos

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O jovem correu para o seu, montou rapidamente e esporeou duramente o animal, procurando alcançar a amazona. Tudo inútil. O corcel da rapariga era muito mais ligeiro do que o seu e ganhava-lhe terreno a olhos vistos. Deu-se por vencido e entrou na povoação a trote, olhando para um lado e para o outro na esperança de ainda a conseguir ver. E viu-a, montada no veloz animal, em frente da igreja, em cuja porta o pastor entoava uns responsos ante seis ataúdes que encerravam os restos mortais dos madeireiros assassinados no dia anterior. Charles aproximou-se da ruiva e observou que no seu rosto se operara uma grande transformação. — Quem... quem são?... — perguntou entrecortadamente, assinalando os caixões com um movimento de cabeça. — Serradores de uma companhia madeireira — respondeu Charles, contente de poder ser útil à desconhecida. — Algum acidente? — Não... Foram os homens de Charisse. A palidez da jovem acentuou-se. — Por isso é que o xerife foi ontem ao rancho... — murmurou de si para...

PAS705. A dama do lago

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No domingo, Charles Derek levantou-se ao amanhecer, selou o cavalo da senhora Allison, meteu entre o cinto os «Colts» que Maureen Cooley lhe emprestara e deixou a povoação a um galope certo. A manhã estava cálida e bela e os pulmões do jovem aspiraram com prazer a balsâmica brisa. Não se dirigiu para o bosque do rio Pecos, onde tinham sido assassinados os madeireiros, mas sim para o lago, que ficava na direção oposta. Quando chegou ali, deteve-se, empunhou os revólveres e esteve a praticar mais de uma hora nos mais diversos e difíceis exercícios de tiro, primeiro a cavalo e depois a pé. Corria, parava de repente, dava meia volta, deixava--se cair, disparando em todas essas posições sem qualquer preparação, quase sem fazer pontaria. Passado algum tempo, sudoroso e fatigado, procurou uma sombra e deitou-se no solo. O sol ia já alto e a atmosfera começava a tornar-se escaldante. Semicerrou os olhos e deixou-se ficar assim um bom bocado, imóvel. De repente ouviu o frenético galopar de um c...

PAS704. Matar por uma mina de prata

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Prata. Era uma mina de prata. Ali estava o verdadeiro segredo de Charisse e a razão pela qual os seus sequazes se opunham pela força a que o bosque fosse cortado. Howard Charisse tinha-a encontrado casualmente algum tempo antes e, receoso de que alguém pudesse disputar-lha, mantinha em segredo o seu achado. Primeiro fora algo de instintivo, mas depois raciocinado. Se alguém podia reclamar o seu direito à mina, esse alguém era Tula, sua prima, com quem necessariamente teria de partilhar o tesouro. A não se ter enamorado loucamente dela, não se teria importado que tal sucedesse e que ela gozasse com ele do precioso achado. Mas como estava, preso de uma avassaladora paixão, temeu que a jovem, rica e poderosa, se agradasse de outro, pedisse participação na fortuna e se separasse dele para sempre. Que motivo havia, portanto, para que Tula dependesse sempre dele? Nenhuma melhor que simular uma ruína e, entretanto, ir acumulando prata até o filão se ter esgotado ou ela admitir que também lhe ...

ARZ124. Isto não é contigo!

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(Coleção Arizona, nº124)  Charles Derek é um vagabundo expulso dos rurais por se embebedar com frequência. O seu eterno deambular levou-o até Pecos onde veio a conhecer que um seu antigo companheiro ali tinha sido assassinado o mesmo acontecendo a um conjunto de madeireiros que se preparavam para desbastar um bosque. O próprio facto de ter sido sujeito a um processo de violência por um conjunto de indivíduos menos escrupulosos a soldo de Howard Charisse fez com que procurasse reabilitar-se e interessar-se pelo que se passava na cidade. Howard movia-se pelo desejo de explorar em proveito próprio uma mina de prata utilizando trabalho escravo protegido por pistoleiros e a sua ganância era tanta que não hesitava em recorrer ao crime. Mas Howard também vivia apaixonado pela sua linda prima, Tula e a sua reação quando alguém se aproximava dela não era a melhor. Tula era posta à margem das catividades do primo. «Isto não é contigo!» diz o título da novela, mas um dia veio a conhecer Derek...

PAS703. Nunca peças perdão por este beijo

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Conversaram muito pouco até atingirem a cascata de águas espumantes, no ponto em que se convertia num re-manso cristalino povoado de trutas. -- Não gosta de pescar ? perguntou-lhe Cathy. — Muito — assentiu ele. — Quer que nos detenhamos um momento aqui ? Como ela não fizesse qualquer objeção, Gen desmontou rapidamente e, tomando-a pela cintura, colocou-a também em terra. Logo, tomando-lhe a mão, levou-a para uma rocha que penetrava na água, passando sob a ramagem de um enorme cedro. — Está-se bem aqui, não lhe parece? Ela parecia absorta contemplando a água. — Há aqui trutas enormes — disse. Mas Gen estava disposto a iniciar a sua ofensiva e não sentia nesse momento o menor interesse pelas trutas. — Que lhe pareceu o meu rancho? Ela olhou-o então, começando a rir. -- Um desastre — disse. — Refiro-me à casa, evidentemente. Sem adornos de espécie alguma e com alguns escassos móveis, pelo que me foi dado ver. Os homens não têm jeito algum para essas coisas. Gen disfarçou um sorriso, pois ...

PAS702. A arte de domar uma égua selvagem

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Cathy dormiu bem naquela noite, o que não era muito de estranhar, pois sofria nos últimos tempos de insónias com muita frequência. Desde o seu encontro com os bandidos, precisando melhor, embora não em consequência dele. Mas os seus propósitos de vingança contra o culpado estavam ameaçados de morrer por extinção, pois Gentry Keller parecia haver desaparecido tragado pelas montanhas e ninguém voltara a vê-lo em Sheridan nem em Akron. E ela precisava de o humilhar, fazê-lo pagar o ultraje que lhe infligira ao roubar-lhe aquele beijo, cujo fogo sentia ainda a queimar-lhe os lábios, enrubescendo-a de vergonha cada vez que o recordava. Mas se durante toda a semana, após a festa de Sally, dominara a sua impaciência com a esperança de que no domingo o poderia ver na cidade, essa esperança desvanecera-se por completo. Por isso, depois de uma noite inteira sem dormir, resolveu ir visitá-lo ao seu rancho. Entre as terras da fazenda Garfield e a que fora de Kerr havia apenas uma franja montanhosa...

PAS700. O vale dos cavalos selvagens

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Enquanto subia a íngreme encosta, mantendo-se com dificuldade na sela, Cathy compreendeu perfeitamente por que a maioria das mulheres preferia montar escarranchada, não obstante o processo resultar um tanto masculino. Também ela montara desse modo, até dois anos antes, quando era ainda uma rapariguinha, e embora depois lhe tivesse custado montar à amazona, vira-se forçada a habituar-se sob pena de se tornar objecto de reparos. Mas uma coisa era cavalgar por um parque em Saint Louis ou nas campinas de Missouri e Illinois, e outra muito diferente nas montanhas do alto Wyoming. Finalmente, conseguiu vencer o agreste pendente, atrás do vaqueiro que conduzia pelas rédeas o enorme zaino. Atingida a crista da colina, iniciou a descida da ladeira oposta. Seguiam-na mais alguns vaqueiros. Lá em baixo brilhavam, como prata fundida, as águas de uma lagoa, no extremo mais afastado da qual havia um pequeno pinhal, que se alongava pelo lado oposto do vale que existia à esquerda até se converter num ...

PAS699. O rebelde cruza-se com a bela em apuros

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Visto que não estavam em Sheridan e Gen não tinha uma ideia acerca do sítio onde poderia encontrar os seus homens, e sendo já demasiado tarde para continuar a sua viagem, resolveu passar a noite na cidade, escolhendo para o efeito o mais modesto dos seus dois hotéis. Não se levantou muito cedo, pois queria aproveitar para fazer compras: provisões, arame, pregos, algumas ferramentas ... Depois de adquirir tudo, foi a um dos estábulos e alugou um animal forte que pudesse servir-lhe de azémola, carregando-o com as suas aquisições. Passava, portanto, das dez horas da manhã, quando, finalmente, abandonou a cidade, seguindo o caminho de carros que conduzia a Akron, se bem que não pensasse chegar até ali, mas sim desviar-se muito antes, tomando a direção do Norte. Todavia, andada pouco mais de meia milha, ouviu uns gritos agudos e angustiosos. Eram evidentemente de mulher e pareciam soar do outro lado do cotovelo formado pelo caminho à sua frente, num ponto penhascoso coberto de mato. Gen tin...

PAS698. Um passeio com maus encontros

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Cathy tinha algumas boas amigas em Sheridan e também nos ranchos dos arredores, de maneira que, no dia seguinte ao da sua chegada, com a justificação de visitar uma ou duas delas, fez que lhe selassem um cavalo e, verdadeiramente encantadora com o seu elegante traje de amazona cor de tabaco, encaminhou-se resolutamente para a cidade. Não disse aonde ia para evitar explicações. Seu pai não estava e sua mãe nunca fora capaz de se opor ao mais pequeno dos seus desejos. Por isso ninguém a preveniu de que a região sofrera uma transformação durante a sua ausência, e não precisamente para melhor. Dois anos antes não havia em toda a região, para a filha do coronel Andrew Garfield pelo menos, outro perigo que não fosse o dos índios, poucos já e empurrados para os mais recônditos «canyons» dos montes Big Horn, cujas incursões iam sendo cada vez mais raras e menos perigosas, pois embora não faltassem vagabundos, abactores e um ou outro pistoleiro, ninguém se atrevia a provocar a ira do poderoso r...

ARZ123. O rebelde

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(Coleção Arizona, nº123)  No Oeste convertera-se numa lei não escrita o principio de que os precursores podiam instalar-se na pradaria livre sem mais requisitos, tomando para si toda a terra que a sua força e ambição lhes permitisse. Essa lei estava tão fortemente arreigada que um homem podia vender o seu rancho a outro sem ser o dono legalmente reconhecido da terra. Evidentemente que não havia legitimidade legal no sistema, mas como as leis do Oeste não tinham então nada que ver com a legalidade, pois estavam diretamente relacionadas com a capacidade de cada um para defender o seu ou apropriar-se do dos outros, o facto não oferecia grande importância. Gentry Keller rebelou-se contra este sistema e registou em seu nome um conjunto de terras nos arredores de Akron, estado do Wyoming, iniciando a sua exploração contra os interesses do coronel Garfield um homem que desbravou um vasto império depois de o arrebatar aos índios. O conflito assim iniciado só terminou graças à presença de u...

ARZ122. Quem é o criminoso?

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  (Coleção Arizona, nº122)   Um ex-agente da Pinkerton, estabelecido em Los Angeles e dedicando-se à investigação em moldes independentes, numa fase de grande decadência, é abordado por uma jovem muito formosa com o objetivo de vir a defender os seus interesses materializados na herança relacionada com o recebimento de um prémio de seguro de vida. Os argumentos da jovem convencem-no com facilidade e, como um dos passos essenciais para a jovem se candidatar ao premio, era o estar casada não hesita em dar esse importantíssimo passo e fingir perante a família desta uma paixão enorme. A evolução da novela mostra-nos que a própria família da jovem participara na morte do segurado e os passos essenciais da novela traduzem-se na descoberta do culpado e no desenvolvimento do amor entre os recém-casados.

PAS697. No baile, sem a navalha

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Ana e Red não sabiam se passara um minuto ou um ano, tamanha era a intensidade do seu olhar e o pulsar dos seus corações. — Quer dançar? Ana não respondeu. Continuava a olhar Red. Afastou os braços com graça. Red enlaçou-a. Momentos depois dançavam em silêncio. Quando terminou a música, levaram uns segundos a reparar nisso. Não tinham trocado uma só palavra. Então, começaram á rir alegremente. — Bonito baile... — disse ela, e os seus dentes brilharam ao reflexo da luz, assim como os seus olhos verdes. — Sério? Agora, se quiser, posso convidá-la a tomar um refresco. Ana esquecera-se por completo de Jeff e de Nancy; mas, em face da gentileza de Red, recordou-se deles. Ficou calada e olhou em redor. Jeff não estava. Viria, porventura? Quanto a Nancy, encontrava-se no melhor dos mundos, junto do seu major, colada a ele como uma lapa, e dirigiam-se para uma mesa na qual abundavam as garrafas de champanhe. — Sim, obrigada... Aproximaram-se do balcão. Red tomou um uísque com soda; Ana um refr...

PAS696. Sozinha no baile

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O local onde se realizava o baile fora um velho celeiro que os sulistas incendiaram antes da ocupação. Os ianques tinham-no reparado e convertido numa pista ampla. Do teto pendiam festões multicores, o chão estava encerado e num estrado quatro músicos afinavam os instrumentos. Velhos reposteiros cor de vinho cobriam as paredes meio restauradas. Quando entrou, Red Maine deitou uma vista de olhos geral. Havia um bar ao fundo. Dirigiu-se para o balcão e pediu uísque e um copo de água. Todas as mulheres que se encontravam na sala repararam nele, porque a sua presença varonil as impressionava. Não recordavam o que era nem o que fora. Os homens, sim. Admiravam-se do seu atual emprego no Banco e não esqueciam a sua prodigiosa pontaria quando lutara com o «gun-man» Stevens, de sinistra fama, que abatera por décimos de segundo com uma bala entre os olhos. Que pretenderia o enigmático rapaz? Claro que ninguém seria capaz de lho perguntar, embora presentemente se mostrasse muito pacífico. Red não...

PAS695. De salteador a honesto empregado bancário

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Red Maine tomara uma decisão e não tencionava quebrá-la, convencido de que a nada conduziria a forma de viver dos seus antigos companheiros de correrias. Conhecia Van e considerava-o um valente, embora não o admirasse que temesse Jeff Gayar e a sua corte de desesperados. Era fatal que acabaria por se verificar um recontro cujas proporções não podia prever. Red estava disposto a manter-se à margem, embora, naturalmente, as suas simpatias se inclinassem para Van. De todos os modos, depois de trabalhar uma temporada no banco e de juntar algum dinheiro, projetava regressar ao Norte. Mas ainda teria de viver alguns meses em Lincoln City, antes de realizar os seus planos. Entretanto, como era novo e estava cheio de vida, gostava de esquecer, de vez em quando, a vida monótona que se impusera voluntariamente. Tencionava ir ao baile do Exército e divertir-se. Havia pequenas muito bonitas na cidade e ele estava já mais do que farto da dureza dos combates e da tensão angustiosa da espera. O dia c...

PAS694. A noiva do «desesperado»

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Embora Jeff Gayar tivesse feito havia pouco tempo vinte e cinco anos, parecia muito mais velho. Tinha o cabelo preto e o rosto bronzeado. Andava sempre penteado e vestido com esmero. Era alto, forte e agressivo quando atuava com o seu bando, no qual se salientavam Braxer, Ash, Joycer e Len, sulistas como ele, combatentes vencidos que tinham passado a engrossar as fileiras dos inadaptados. Odiavam de morte os ianques. Estes haviam querido, muitas vezes, chamá-los à razão, mas Gayar e os seus tinham respondido sempre com a mais feroz violência, chegando a matar alguns dos seus adversários. Já não eram soldados; na realidade, tinham-se convertido em delinquentes vulgares: furtos, ameaças e toda a variedade de crimes. Se continuassem por aquele caminho, não tardariam a converter-se em frios assassinos. O sangue não os assustava, porque tinham visto muito sangue na guerra. Haviam perdido os ideais da primeira juventude; em vez de procurarem um lugar no novo sistema, criado pela vitória das ...