Apresentamos mais um conto de Orlando Marques, ilustrado por António Barata. Este conto foi publicado em 15 de Julho de 1985 no Mundo de Aventuras nº 555, segunda série.
(Coleção Rio Bravo, nº 12) Duncan Ames tinha sido expulso por vadiagem da povoação de Barstupp e avançava a bom trote para outras paragens quando notou que a ponte por onde devia passar um comboio estava prestes a ruir. Conseguiu avisar o maquinista que deteve a máquina, mas uma jovem tinha absoluta necessidade de chegar à povoação e sugeriu a Ames que voltasse à mesma, levando-a consigo. O certo é que o comboio acabou por ser assaltado, mas o testemunho do maquinista fez com que nenhuma suspeita pesasse sobre Ames que, entretanto, foi contratado pela bela Sharon sobre a qual pareciam pesar algumas ameaças sinistras. Para o ilustrar aqui deixamos uma passagem…
Jantaram sozinhos, na ampla sala que a senhora Cross mandara alindar, e de que tao pouco tempo gozara. Cross mal comeu. Nao podia afastar os olhos da sobrinha, a qual, de pálpebras modestamente descidas — para que ele nao pudesse notar a repugnância que lhe inspirava — comeu corn apetite normal. Quando acabaram a refeição, a jovem disse bruscamente que começara a doer-lhe a cabeça e que ia retirar-se para o seu quarto. Cross aproveitou a ocasião para a beijar na testa. Mas logo, quando ela se voltava para se afastar, o homem pareceu endoidecer. — Outro beijo... — disse ele, com a respiração entrecortada. Ela olhou-o, sobressaltada, e estendeu-lhe a testa. Mas Cross nao queria beija-la na testa. Os seus lábios delgados buscaram os dela. A jovem recuou, de um salto. — Mas, tio... — exclamou. A voz dela tinha um tom levemente irónico, apesar de sentir uma agoniante sensação de repugnância. — É que... — balbuciou Cross — eu... — Boa noite, tio Herbert... — respondeu ela, suavemente. — Dorm...
Comentários
Postar um comentário