PAS300. Enlouquecida por amor


Contexto da passagem: Quando foi entregar os livros e aguarelas ao pequeno Jeb, Forrester soube pela mãe deste que ele fora raptado pelos índios. Partiu na busca deste, o mesmo tendo sido feito pelos traficantes entre os quais estava o pai do miúdo em momento diferente. Forrester foi preso e atado ao poste de torturas. Há uma batalha monumental da qual escapam Forrester com o miúdo e Glória. Forrester ficou ferido e esta recebe-o na sua cabana…
 
Glória lavou a ferida com «whisky», pôs uma almofada sob a cabeça de Forrester e foi colocar a pesada tranca na poprta. Depois, ajoelhou-se ao lado do batedor, debruçou-se mais e beijou-lhe os lábios.

- Milton!... Milton!... – suspirou. – O meu caminho não era o teu caminho, mas eu nunca fui realmente criminosa. Milton! A culpa foi tua, porque nunca quiseste escutar-me…
O ferido agitou-se, abriu os olhos e ela beijou-o com paixão, acariciando-lhe a cara.
Milton Forrester sorriu tristemente, ao sentir o corpo dela colado ao seu, como a pedir-lhe amparo. Os beijos dela queimavam-lhe os lábios, como se tivessem lume, mas ele não a repeliu nem lhe retribuiu as carícias.
- Que louca és, Glória!... – disse, erguendo-se. – Teu pai? Se está vivo, tenho de levá-lo comigo.
- Não o levarás, Milton, porque o mataste. Dizes bem, ao chamar-me louca. Louca de amor por ti, sim! Mataste meu pai, e, no entanto, eu estou a beijar-te. Mas não te deixarei levar-me a Dallas, Milton. És meu prisioneiro.
Enquanto falava, Glória tinha empunhado o revólver de Forrester e agora apontava-lho, disposta a tudo.
- Hás-de querer-me, nem que seja à força!... – bradou ela, desvairada. – Ou ficaremos aqui os dois, juntos para sempre!
Milton Forrester voltou-se, lentamente, e olhou para os corpos dos dois contrabandistas. Depois fitou Glória. O cano da arma que ela empunhava roçou-lhe a camisa.
O quadro era impressionante. Formavam um estranho par, aquele homem moreno, de expressão amarga, vestindo um esfarrapado uniforme de batedor, e a rapariga de trágica e inquietante beleza, com a blusa branca, decotada, a saia curta, o seio palpitante –não por causa da arma que empunhava, mas pela paixão que a enlouquecia.
- Serias capaz de matar-me, Glória?... – perguntou Forrester devagar.
- Sim! Isto é, não sei… Mas, porque me desprezas? Há outra mulher na tua vida?
- Até há pouco tempo, não havia… Agora há, Glória Kane.
Ela recuou como se tivesse recebido uma tremenda bofetada. Os seus lábios tremeram e por um instante pareceu que ia chorar. Olhou fixamente o batedor, como se quisesse gravar bem as feições dele na sua memória, e murmurou, numa voz que a emoção tornava rouca:
- Se não hás-de ser meu… também não serás dela!
E apertou o gatilho.
A detonação ecoou mais na alma do que nos ouvidos de Glória Kane. Horrorizada, rígida como uma bela estátua, com os olhos muito abertos, viu como Forrester estremecia e caia de lado.
Glória deixou escapar o revólver como se a arma lhe queimasse a mão e precipitou-se sobre o corpo inerte do batedor. Chorou, gritou, sacudiu-o… sem poder desfitar o olhar enlouquecido daquela mancha vermelha que alastrava no peito dele.
(Coleção Arizona, nº 68)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RB012. Homem de pistola

PAS784. Um tio que gostava de beijar uma menina