PAS427. Cavalgando com o inimigo

— Não devo ir contigo nem juntar-me a eles. Não é sítio para uma rapariga como eu.
— Desde que vás acompanhada por mim, não faz mal. Toda gente me respeita. Preciso agora de ti mais do que nunca. Abandonar-me-ás?
— Não tenho outro remédio. Um dia, mais tarde, depois de atravessares a fronteira, talvez vá ter contigo. Então, será um caso muito diferente. Adeus, Jerry!
Procurou obrigar o cavalo a executar meia-volta mas o bandido deitando-lhe a mão direita às rédeas, imobilizou-o, enquanto dizia:
— Não me deixarás, Marjorie. Sou eu que te ordeno.
A jovem olhou-o de alto abaixo. Embora sentisse medo, retrucou audaciosamente:
— Que direitos tens tu para me obrigares a fazer uma coisa contra a minha vontade? Estiveste afastado de mim e de casa imenso tempo. Durante todo esse tempo não te dignaste enviar-me uma linha que testemunhasse a mais insignificante lembrança. Por fim, venho a descobrir que estavas na cadeia. Considerei que tinha perdido o meu irmão para sempre. E agora pretendes dar-me ordens! Não posso juntar-me a ti, perdes-me como tu já estás perdido. Quero regressar, percebes? E regressarei, mesmo que isso te desagrade. Solta o cavalo! 
A boca do patife escancarou-se numa gargalhada fe- roz, enquanto os olhos lhe brilhavam de ira.
— Não penses mais em retroceder, Marjorie Tucson. Estás nas minhas mãos, compreendes? És a garantia da minha pele, se alguém quiser deter-me.
— Mas... não és o meu irmão? Quem és...
— Buck Latimer, para te servir, meu anjo. E um Latimer que não fará a mínima questão em disparar seja contra quem for, homem ou mulher, desde que sinta a pele em perigo.
Marjorie foi impotente para abafar um grito de angústia. Procurou desembaraçar as rédeas das mãos do bandido mas ele, com uip empurrão, atirou-a abaixo da sela. Em seguida, apontando-lhe o revólver, comandou:
— Monta! Iremos através desses montes em que falaste. E ai de ti se tiveres veleidades de fugir! Dei cabo do teu irmão porque estava moralmente vencido e não passava de um miserável cobarde. E agora darei cabo de ti se te armas em esperta. Monta, já disse!
Com intensa palidez espalhada pelo rosto, a jovem ergueu-se do solo e subiu para o cavalo. Parecia ter perdido de repente o domínio de si própria. Compreendeu que estava perdida, que tinha caído nas mãos do pior assassino de todos os tempos. Tinha-se portado corno uma tola. Às vezes é bom não nos guiarmos só pelos sentimentos. E ela, desgraçadamente, insistira em fechar os olhos a toda a espécie de suspeitas. Em resultado disso, caíra numa armadilha terrível, da qual talvez não escapasse com vida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RB012. Homem de pistola

PAS784. Um tio que gostava de beijar uma menina